
“Como se escureceu o ouro! Como se mudou o ouro fino e bom! Como estão espalhadas as pedras do santuário ao canto de todas as ruas!”
Lamentações 4:1
Cresci no meio de crentes cuja marca maior era a profundidade de sua fé. Suas conversas não eram jamais superficiais. Evitavam-se banalidades; compartilhavam-se experiências marcantes com o Deus da Sarça Ardente. O compromisso com Deus e Seu Reino vinham antes de qualquer outra coisa. A simplicidade e o fervor com os quais o Evangelho era compartilhado eram visíveis e quase palpáveis. Hoje vemos uma geração de crentes cuja fé gira em torno do próprio umbigo. Como costuma dizer uma amiga pastora, são crentes “sugadores de bênçãos”. Apreciam receber, mas não estão dispostos a moverem-se um milímetro para dar. Crentes egoístas e mimados.
A imprensa tem noticiado que ultimamente o número de obesos tem subido bastante no Brasil. Isto se deve ao fato de que o feijão e arroz, comuns nas casas dos brasileiros, estão sendo substituídos pelo fast-food e pelos produtos industrializados. Hoje, troca-se o suco de fruta pelo refrigerante. No futuro, o governo gastará ainda mais no tratamento de doenças geradas por hábitos alimentares danosos à saúde.Do mesmo modo, no meio cristão, vemos um verdadeiro fast-food espiritual. Para que passar uma noite de vigília buscando a face do Senhor, se eu posso colocar um copo de água sobre a TV ou levar uma peça de roupa do ente querido para receber uma “oração forte”? Para que jejuar sobre determinada questão, se eu posso “colocar Deus no canto da parede” e obrigá-lo a me dar a parte da herança que me pertence? Por que usar o hinário, se toca tanta música “maneira” no rádio?
O resultado desse tipo de alimentação espiritual é trágico. Os hinos que estão nas paradas de sucesso gospel não passam, em sua maioria, de besteirol. As fórmulas mágicas apresentadas por muitos pregadores são cópias das crendices e mandingas cultivadas pelo povo ignorante há séculos. Simpatias evangélicas.
Essa alimentação muito calórica e pouco nutritiva tem gerado crentes obesos na fé, com aparência de grandes, em grandes igrejas, mas são completamente superficiais. Não há profundidade. Não há experiência profunda com o Deus da Bíblia (na maioria dos casos, o que eles chamam de experiência não passa de mero emocionalismo). Não estão dispostos a passar um tempo no deserto com Deus. Buscam grandes milagres, esquecendo-se que grandes milagres são frutos de uma vida de oração e estudo diário da palavra de Deus. Leonard Ravenhill disse certa vez que só pode ter uma oração curta e poderosa em público quem passa longas horas de oração em secreto.
Esse tão aclamado crescimento evangélico no país, ao contrário do que muitos pensam, não é sinal de saúde, e sim de doença. Obesidade mórbida.
Deus está nos chamando à uma vida de profundidade na fé. É tempo de nos desfazermos dessas baboseiras que ao longo dos anos têm-se introduzido na igreja brasileira e adotarmos uma alimentação mais saudável: voltarmos a comer do pão vivo que desceu do céu e a beber da fonte de água viva.
Que o apelo da canção de Jorge Rehder seja o nosso clamor:
”Agora é o tempo de fazer diferença, de mostrar as raízes, de quebrar as amarras. Ser igreja presente, fazer parte da história, de encarar a miséria e mostrar compaixão. De avançar imbatíveis, ocupar os espaços, de ter tudo a dizer à nossa geração. Que da cruz brota vida, que a esperança não falha, que a justiça não tarda, que só em Cristo há salvação; que só em Cristo há salvação”.
Ebeneser Nogueira


