Nos diversos lugares por onde passou, a tocha olímpica sofreu ataques de manifestantes desejosos de apagá-la. Jogaram água, usaram extintores, avançaram sobre os portadores do flamejante símbolo olímpico. Obviamente, o objetivo é demonstrar que a relação entre a China e o Tibet está bem distante dos ideais olímpicos de paz e união entre os povos.
Pensando nisto, ocorreu-me que a insatifação das pessoas com as injustiças em nosso mundo leva-os a culparem a Deus (e aos seus mensageiros, por tabela) por tudo de ruim que acontece. Se Deus nos ama, por que permite tanta dor, perguntam eles. E correm para nos atacar!
Felizmente, a China é só um país. Os outros países não estão ocupando ou oprimindo o Tibet. Alguns, no máximo, estão se omitindo, ao decidir não interferir (interferir pra quê? Não tem petróleo no Tibet…).
Nós sabemos que Deus não é culpado pela maldade espalhada no mundo. A maior parte dos males vem da natureza humana decaída, expressa em egoísmo, ódio, indiferença, desamor e ingratidão. O profeta Jeremias, nas suas lamentações, questiona: “por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados” (Lam. 3:39).
Depois que a tocha passar, a China será ainda culpada ou será esquecida? Apagar a tocha acenderá a culpa nos governantes chineses?
Do mesmo modo, apagar a chama da mensagem do Evangelho não mudará a dura realidade do mundo. Precisamos proclamar com altas labaredas a mensagem de amor. Muitos tentarão apagar nossa tocha, cada um com seus próprios discursos e reinvindicações, mas não devemos deixar o fogo do Espírito ser apagado por ninguém.
O lado cômico dos protestos é ver monges que antes pareciam tão compenetrados em suas meditações, falando sempre de autocontrole e mansidão, colocando as garras de fora e partindo para a pancadaria. É um alerta sobre coerência. Devemos viver a mensagem que pregamos, em tempos de guerra ou de paz.
Outro alerta é sobre a hipocrisia. A tocha está sendo perseguida por que seus ideais estão sendo abandonados. Que nós não venhamos a abandonar nossos ideais nem façamos vista grossa aos que estão em algemas ao nosso redor. Nossa mensagem inflamada é de libertação pela fé em Jesus. Pintar as algemas de cor de rosa não é oferecer liberdade, é mascarar a opressão.
Que esses controversos momentos pré-olímpicos nos levem a meditar sobre nossa conduta como atletas, soldados e embaixadores de Cristo.
“Corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1c).
Ebeneser Nogueira

