Allah, meu bom Allah!
Em cujo jardim
Frutas e virgens, dizem,
não irão faltar!
Oxalá, que como tantos outros e outras,
excluído não seja eu de lá.
Allah, meu bom Allah!
Pra chegar no teu jardim
Alguns daqui
matado tem,
morrido, também,
explodido a si mesmo
e a outros mandado para o além.
Allah, meu bom Allah!
Porque para em teu jardim entrar
tem que defunto se tornar?
Porque nele cerveja e vinho,
nem pensar?
Allah, meu bom Allah!
Permita que eu, em vida
possa teu jardim visitar
e nos seus prazeres deliciar-me.
Suspiros, nele quero escutar.
Respiração, ofegante encontrar,
Olhar deslumbrante, presenciar
Silêncio falante, observar.
Allah, meu bom Allah!
Em teu jardim ouvir quero…
…a “risada mais gostosa”,
…beijar a boca mais saborosa,
…cruzar os pés,
…as mãos, apalpar,
…o mar, admirar,
…a lua, perceber e
os corpos amalgamar.
Allah, meu bom Allah!
Por teu jardim,
suspiro eu, em corpo,
visitar.
Maruilson Souza, PhD
