Das erste Wunder

26 11 2009

Postado por Tuco Egg, nA Trilha.
Quando recebeu o convite para a grande festa de outubro, nem pensou duas vezes. Reuniu seus amigos e os levou consigo. Muito chope, música, dança. A festança rolava solta. Ele e os doze companheiros estavam trajados com roupas típicas. Degustaram com muito gosto as cervejas artesanais e acompanharam as apresentações folclóricas com entusiasmo.

Enquanto dançavam divertindo-se no meio do salão, receberam a notícia trágica. Os foliões da festa começaram a perceber o ocorrido. Corriam de barril em barril, enquanto os garçons e bares tentavem entender o que estava acontecendo. Ainda era cedo, a festa mal havia começado, mas os barris estavam secos. O chope acabara. Turistas incorformados caminhavam de estande em estande, de choperia em choperia, dentro dos galpões gigantescos que abrigavam a festa.

No meio da confusão o rapaz rumou convicto até o centro de informações e cochichou algo nos ouvidos dos responsáveis. Uma turma da organização da festa saiu em disparada, em várias direções, cada um rumando diretamente para uma das mangueiras de combate a incêndio embutidas nas paredes dos pavilhões. Quebraram os vidros de segurança e acionaram as mangueiras. Milagre! A água transformara-se em chope. Chope gelado. O mais puro malte. Alegria garantida para todo mundo. A música voltou, os corpos giravam eufóricos ao embalo das bandas alemãs. O riso corria solto. Jamais haveria uma oktoberfest como aquela.

No dia seguinte líderes religiosos de todo vale se reuniram para deliberar sobre o assunto. O fato era grave e pedia medidas drásticas. Um milagre desse porte não passaria despercebido. Certamente desviaria a atenção dos fiéis, arrastando-os para longe dos púlpitos e gasofiláceos. Algo precisava ser feito. Os dias daquele rapaz estavam contados…

Das erste Wunder – Primeiro Milagre, em alemão.





Frase do Dia

16 11 2009

liberdade

“A verdadeira liberdade consiste
somente em fazer o que devemos,
sem sermos constrangidos
a fazer o que não devemos.”

Jonathan Edwards





Compaixão com cara, cheiro e nome.

16 10 2009

compaixão

Compaixão é uma virtude que acompanha o ser humano desde o início do seu processo de humanização e que o ajuda a distinguir-se de outros animais. O termo é de origem latina (compassione) e de difícil explicação, pois pode assumir diferentes significados, sendo facilmente confundido com piedade (capacidade de sentir-se triste com a tristeza dos outros), com pena (capacidade de sentir-se numa condição melhor ou superior à de quem sofre), com solidariedade (capacidade de sentir-se solidus, parte consistente do mesmo corpo), com simpatia (capacidade de sentir-se participante das alegrias, dores e tristezas de outrem) e com empatia (capacidade de meter-se na pele de outro).

Do ponto de vista etimológico pode-se dizer que compaixão significa “paixão com”, podendo ser associada à paixão com que se coloca incondicionalmente ao lado do outro que sofre injustiças, seja ele humano ou animal; do miserável ou rico; do imbecil ou intelectual; do pecador ou santo; do ateu ou religioso. Talvez por isso, o assunto tem estado, por séculos, na agenda dos debates de religiosos e filósofos, tanto da antiguidade quanto da modernidade.

Sócrates (469–399 a.C), por exemplo, que desprezava veementemente o sentimentalismo bufão, associou a compaixão ao desvirtuamento de caráter causado pelo terror, pelo medo e pelo pânico diante de arbitrariedades e perseguições sofridas por outrem, enquanto Aristóteles (384-322 a.C.) a compreendia como positiva quando relacionada com (1) um mal que está destruindo alguém, (2) que não merece estar passando por aquilo e (3) igualmente pode atingir a mim. Já Zenão (séc. III a.C.), fundador do estoicismo, defendia ser a compaixão um grande erro moral, pois a apathea, a indiferença à dor, às necessidades, ao sofrimento, aos males e às agruras da própria vida ou de outrem é o ideal da lei racional.

O filósofo alemão Schopenhauer (1788-1860), geralmente associado ao cinismo e ao pessimismo desvinculava a compaixão (“amor puro”) de qualquer religião e crença e defendia ser ela necessária para enobrecer o caráter do ser humano. Para ele, a compaixão leva à bondade e ao auxilio do seu semelhante, assim como à prática de atos de justiça e de amor ao próximo. Para o igualmente filósofo alemão Max Scheler (1874-1928) a compaixão é a busca por tentar compreender a angustia do outro, enquanto se mantém a consciência de que nada a ela se assemelha.

É certo que filósofos judeus e Cristãos também têm refletido sobre o assunto. Entretanto, polêmicas à parte, suas Escrituras Sagradas apresentam tanto Yahweh quanto Jesus como plenos em compaixão. Eles agem movidos por compaixão. Na verdade é a compaixão que lhes “põem em movimento”, que lhes “vocacionam” a atuar em favor de outros.

No livro do Êxodo, por exemplo, são os gritos do povo sofrido e oprimido que desperta em Yahweh a vocação de libertador (Êxodo 2.23-25; 3.7-18) e nos Evangelhos, é o mendigo-cego Bartimeu (Mateus 20.29-34; Marcos 10.46-52; Lucas 18.35-43) quem, a partir das suas necessidades brada insistentemente provocando em Jesus a liberação de uma ação compassiva que o tira da sua situação humilhante.

Era, portanto, inadimitível para os escritores sagrados pensar em Yahweh e em Jesus como modelos de apatia e indiferença ante o sofrimento humano, como propunham os filósofos estóicos. Tampouco podiam eles defender que as ações de Yahweh e de Jesus fossem movidas por um sentimentalismo causado por pânico ou temor. Ao contrário, os escritores do Antigo e Novo Testamentos testemunham que o agir de Yahweh e de Jesus advém da (com)“paixão” pela justiça, pela verdade, pelo retorno à esperança e ao equilíbrio.

Assim é que as Sagradas Escrituras judaico-cristã apresentam a compaixão tanto de Yahweh quanto de Jesus como modelos para o povo de Deus, visto ser formada por atitudes, decisões e ações realizadas não somente porque uma pessoa ou povo está sendo destruído pelo mal, ou porque um inocente está sofrendo ou ainda por solidariedade (“o mesmo pode acontecer comigo”), mas para que a justiça seja restabelecida, o inocente seja amparado e sinais de esperança sejam percebidos e presenciados.

Desta forma, pode-se afirmar que mesmo não havendo consenso universal, do ponto de vista da teologia cristã a compaixão está conectada com ações, quer sejam elas espontâneas ou programadas, desde que visem a promoção e a defesa da vida, e a divulgação de valores que estabeleçam a verdade e a justiça.

Assim sendo…

…Onde hinos são entoados, crentes são anestesiados, o individualismo é celebrado, o sucesso buscado e os pobres são desprezados, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Karl Marx, entre outros e outras.

…Onde a repressão é geral, a moral é “por debaixo dos panos” e Deus é feito à imagem e semelhança do ser humano, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Freud, entre outros e outras.

…Onde as botas e os fuzis impõem o medo, dão toque de recolher, fazem calar, ameaçam, perseguem e torturam, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Dietrich Bonhoefer, Oscar Romero ou Helder Câmara, entre outros e outras.

…Onde os direitos humanos são violados, crianças são desrespeitadas, adolescentes abusados, idosos maltratados e pessoas sendo destratadas por causa da cor da sua pele, compaixão passa a ser ações concretas com cara, cheiro e nome, podendo chamar-se Nelson Mandela, Martin Luther King, entre outros e outras.

…Onde os pobres são mantidos por gerações como “intocáveis”, sem possibilidade de mudanças e quando a fome lhes impede de ter esperança e sonhos por melhores dias, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se William Booth, Madre Teresa de Calcutá ou Irmã Dulce, entre outros e outras.

…Onde uma nação é invadida, suas manifestações culturais proibidas, a violência normatizada e a incoerência entronizada, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Mahatma Ghandi, entre outros e outras.

…Onde a natureza é explorada de forma gananciosa, sem nenhum compromisso com as gerações vindouras, compaixão tem cara, cheiro e nome, tem greve e discurso ainda que feito por um matuto como Chico Mendes, entre outros e outras.

…Onde a fé é confundida com religião, com sentimentalismo barato, com gestos teatrais e com domesticação dos fiéis, mesmo que para isso a manipulação seja aplaudida, a falta de escrúpulos bem vinda e Deus não honrado, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se René Padilla, Miguez Bonino, Carlos Mesters ou Leonardo Boff, entre outros e outras.

…Onde a hipocrisia é quem manda, o fingimento é quem que reina e a falta do uso da razão é espiritualizada, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Rubem Alves, entre outros e outras.

…Onde o analfabetismo é bem visto, o subemprego bem quisto e esse salário mínimo defendido, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Darci Ribeiro ou Paulo Freire, entre outros e outras.

…Onde mulheres são imbecilizadas, violentadas, espancadas e assassinadas, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Catherine Booth ou Ivone Gebara, entre outros e outras.

…Onde a classe média tornou-se insensível, os miseráveis passaram a ser invisíveis, a fé é vivida de forma descomprometida e descompromissada com o próximo, compaixão tem cara, cheiro e nome, pode chamar-se Viv Grigg, entre outros e outras.

…Onde… compaixão é qualquer ação, feita especialmente em nome e por amor a Jesus, consciente ou inconsciente, espontânea ou não, que de alguma forma tira-nos do comodismo, do individualismo, do esquizofrenismo, das nossas dores, dos nossos desamores, dissabores e sofrimentos e leva-nos à identificação com o pobre, com o necessitado, com a dor alheia, impulsionando-nos a defender, a promover, a participar e a apoiar ações que visem o bem da coletividade.

Que o Eterno nos ajude a crescer em compaixão.

Maruilson Souza, Ph.D





Frase do Dia

6 10 2009

sol

“Vire o rosto em direção ao sol
e as sombras ficarão para trás”.

Citado por Jan Goldstein em Sacred Wounds (Regan Books)





Frase do Dia

3 10 2009

dois bebes

“Quem não consegue mais ouvir o irmão,
em breve também não conseguirá mais ouvir a Deus”.

Dietrich Bonhoeffer, em Gemeinsames Leben





Sobre Sacerdócio Universal dos Crentes

19 09 2009

jesus_o_pastor_com_as_ovelhas

Os Votos Monásticos baseim-se na pressuposição falsa de que há um chamado especial, uma vocação, a que os os cristãos superiores são convidados para observar os conselhos da perfeição, enquanto os cristãos comuns só cumprem as ordens; mas simplesmente não existe vocação religiosa especial, uma vez que o chamado de Deus atinge a todos nas tarefas comuns”.

Lutero, em seu ensaio Sobre os Votos Monásticos





Frase do Dia

1 09 2009

mente-brilhante

“A mente que se abre a uma nova idéia
jamais voltará ao seu tamanho original.”

Albert Einstein





Se o grão de trigo não morrer…

1 08 2009

Auca

“Aquele que dá o que não pode guardar
para ganhar o que não pode perder
não é tolo”.

Jim Elliot, um dos cinco missionários mortos pelos índios aucas em 08 de janeiro de 1956.





Por que há tanta competição na vida?

23 07 2009

competição

Desde cedo nos deparamos com um mundo competitivo: queremos ser representante de turma na escola ou presidentes do grêmio escolar. Na empresa, lutamos para ser o funcionário do mês, com direito à quadro com foto sorridente por trinta dias. Na igreja, brigamos por cargos de destaque, de preferência que nos ponham lá na frente a cada domingo, quem sabe até para cantar (mesmo que não saibamos a diferença entre um lá e um si; só damos dó…).

Puxamos sem dó nem piedade o tapete do nosso próximo, a quem devíamos amar. Invejamos o carro novo do nosso amigo, a casa linda do vizinho, o iPod que a gente não pode comprar. Nos endividamos até o pescoço para comprar uma TV tão magra quanto nosso salário, só para dizermos as pessoas que nós já temos uma…

Engraçado, que nesse país supostamente cristão não haja o mesmo interesse em ajudar o colega de escola que tem dificuldade no aprendizado, não se lute para que o local de trabalho torne-se uma segunda família, onde haja respeito, amor e ajuda. Não há empenho para que o irmão que canta como um rouxinol substitua o desafinado no louvor da igreja, para alívio de todos, nem se desenvolvam corações gratos que fiquem felizes com o sucesso e aquisições dos semelhantes.

No desenho da Disney, “Mogli, o Menino Lobo“, o urso Balu canta uma canção que concorreu ao Oscar de melhor canção original, “Somente o necessário“:

Eu uso o necessário,
Somente o necessário;
O extraordinário é demais.
Eu digo o necessário,
Somente o necessário;
Por isso é que essa vida eu vivo em paz.

Precisamos aprender esta lição. Quando os discípulos de João começaram a se preocupar com o crescimento do ministério de Jesus em detrimentos do ministério de João, a resposta de João foi sábia e santa: “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30).

Jesus, o Filho de Deus e Nosso Senhor, descartou essas idéias tolas de fama, poder e sucesso, colocando-se na posição de um escravo, ao lavar os pés de Seus discípulos, e ainda disse para eles:

Ora, seu eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes” (João 13:14-17).

É preciso que abandonemos a velha tentação de querer sempre o primeiro lugar. Na sepultura, onde todos acabaremos, não há maior nem melhor. No céu, onde pretendemos chegar, só há um trono, e os que o ambicionarem, farão companhia a um velho anjo caído num lugar um pouco, digamos, mais aquecido.

Ebeneser Nogueira, na Revista Rumo.





Tentação

9 07 2009

ventania

“Nenhum homem sabe quão mau ele é, até que ele tenha tentado de toda maneira ser bom. Uma idéia tola, mas muito atual é que as pessoas boas não conhecem o significado ou não passam por tentações. Isto é uma mentira óbvia. Só aqueles que tentam resistir a tentação, sabem quão forte ela é. Afinal de contas, você descobre a força do exército inimigo lutando contra ele, não cedendo a ele. Você descobre a força de um vento, tentando caminhar contra ele, não se deitando ao chão. Um homem que cede ante a tentação depois de cinco minutos, simplesmente não sabe o que teria acontecido se tivesse esperado uma hora. Esta é a razão pela qual as pessoas ruins, de certa forma, sabem muito pouco sobre sua maldade. Elas viveram uma vida abrigada por estarem sempre cedendo. Nós nunca descobrimos a força do impulso mal dentro de nós, até que nós tentamos lutar contra ele: e Cristo, porque Ele foi o único homem que nunca se rendeu a tentação, também é o único homem que conhece completamente o que tentação significa – o único realista no total sentido da palavra”.

C. S. Lewis





Frase do Dia

29 06 2009

desafios

“O único dia fácil foi ontem”.

Citado por Clint Black





Frase do Dia

26 06 2009

Homem2

“O homem é a única criatura que se recusa a ser o que ela é”.
Albert Camus





Frase do Dia

30 05 2009

vencedor

“A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo”.

Platão





Frase do Dia

28 05 2009

metamorfose-de-michael-jackson“Todos os mortais tendem
a tornar-se naquilo que fingem ser.”

(C. S.  Lewis)





Frase do Dia

27 05 2009

Banco de Jardim

“Saber ouvir é quase responder”.

Pierre Marivaux