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POR QUE NÃO CUMPRIMOS NOSSAS PROMESSAS?


“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te,
e volta à prática das primeiras obras”
Apocalipse 2:5a

Ao chegar ao final de mais um ano, é provável que muitos de nós ao olharmos para trás enxerguemos facilmente sonhos não realizados e metas não alcançadas. É possível que, ao invés de progresso, tenhamos até regredido e colocado nosso relacionamento com Deus em segundo plano.
Iniciamos o ano prometendo a nós mesmos – e até mesmo a Deus – orar mais, ler mais a Bíblia e trabalhar ativamente na obra do Senhor. Mas nosso histórico anual deixa claro que não foi exatamente assim que aconteceu…
Alguns estão vivendo a mesma experiência de Ivan Lins e Victor Martins:

“Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido.”

Só que esse é o problema: muitas vezes contamos com nossa própria força ao invés de contarmos com a ajuda do Senhor. Quando contamos apenas conosco, o resultado são machucões, rebeliões, barcos virados e muita dor. Sozinhos, não vamos muito longe. Precisamos da ajuda do Senhor para carregar nosso fardo pesado. Precisamos do Seu toque de poder e graça para sustentar a nossa vida de devoção. As promessas que fazemos não são suficientes para garantir um ano de fidelidade. É a nossa dependência de Deus e persistência em segui-Lo – custe o que custar – que faz toda a diferença.
É tempo de renovar os votos, mas isso não deve ser apenas uma tradição de fim de ano, mas o desejo ardente de um coração sedento pelo Deus Vivo.
Diga ao Senhor: “Começar de novo e contar ConTigo, vai valer a pena ter amanhecido!”
Que no novo ano que se aproxima você volte à prática das primeiras obras e ande diariamente firmado na Rocha Eterna.
Feliz Ano Novo!

Ebeneser Nogueira,  na Revista Rumo.

Pai Nosso

Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim,

Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa,

Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação,

Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no vôo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões,

Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego e o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas,

Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão,

E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética,

Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,

Amemos.
 
Frei Betto